Em Cruzeiro Eu Te Amo, nosso inesquecível Trem da Serra
Maria
fumaça
Só tem saudades aqueles que viveram nos tempos idos e vividos...
A cidade de Cruzeiro nos anos trinta, lógico que só poderia ser do seculo passado, vivia um alvoroço total com os trens da Rede Mineira de Viação, que em Cruzeiro faziam suas baldeações para os tres estados mais populosos e desenvolvidos deste imenso Brasil.
Se pararmos no tempo, uma hora sequer por semana, e juntarmos todos os velhos e velhas que viveram nesses tempos... daria para escrever vários livros, somente narrando os casos verídicos que se sucederam nesta década, acima referenciada.
Quantos homens... oh!... quantos homens ainda existem na cidade, e nos primam com suas presenças, que fizeram parte das lutas dos ferroviários... dos salarios atrasados... das tentativas dos policiais em acabar com as greves dos trabalhadores... das coercitivas policiais em querer fazer os maquinistas seguir viagens e, com isso, automaticamente furar as greves...
Das mulheres destes bastiões, hoje também idosas e alquebradas pelo tempo, mas que em seus tempos, - valentes e lutadoras. Que se enrolavam na Bandeira do Brasil... ou a estendiam na rua por onde o carro com policiais tinham que passar, visando com isso impedir que as ações policiais, furassem as greves... Isso porque elas sabiam eles iam buscar seus maridos ou filhos para leva-los até aos trens... greves... greves que eram muitas e em Cruzeiro eram muito comuns... Algumas tinham a tônica dos partidários de partidos politicos (geralmente comunistas), mas... mas, a maioria delas aconteciam pela falta de pagamentos aos ferroviários... que trabalhavam meses sem receber seus salários...
E os acidentes na serra da Mantiqueira, quando se ouviam os tres apitos longos durante o dia ou à noite, chamando a turma do Socorro... a população acordava com sobressalto. As esposas que tinham seus maridos viajando, entravam em desespero e agonia para saber noticias dos desastres... e todos os desastres tinham uma causa... Sono do maquinista... trilhos que se abriam... trilhos que se partiam com o peso das locomotivas, por ficarem abaixo das temperaturas ideais (muito frio)... falta de freio... quebra de engates...
A multidão de passageiros que desciam de um trem e ficava esperando o outro que ia em outra direção (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e perambulavam pela a cidade... o velho Zappa, com sua bolsa de couro indo de vagão em vagão vendendo revista e jornais... os garotos marotos que aproveitavam as paradas do trem para vender suas balas, doces e salgados, que cuja venda ajudavam no orçamento domestico, e só pulavam do trem quando este começava acelerar... muitos deles saltavam na brita da linha, e até de vez em quando se machucavam... os engraxates - vai um brilho aí? - perguntavam aos viajantes... os carregadores de malas... uns até usavam veículos baixos de rodas pequenas e de ferro, da propria ferrovia, e transportavam as malas daquele viajante que ia pernoitar nos hotéis de Cruzeiro...
Ah! saudade... como você machuca... como você nos sufoca sem nos abraçar... Só o tempo mesmo, para depor sobre os nossos sentimentos...
Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
Que bom seria se a gente pudesse te ver outra vez povoando nossa paisagem e movimentando nosso turismo. Estivestes presente em todo nosso desenvolvimento, e agora nos encanta com a doce saudade daqueles tempos vividos.
Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
Orientastes todo nosso progresso. Tudo que temos ou tudo
que somos, devemos a ti, Princesa de Ébano.
Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
Quantas e quantas vezes ouvimos este seu barulho, qual
dragão trazendo o abdome em brasa e soltando fumo pelas narinas. Sua presença
em qualquer lugar naqueles tempos, era a certeza de famílias numerosas e
amparadas... bons tempos aqueles. Fostes nosso ponto de partida e a bússola que
orientou nosso rumo.
Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
Desbravastes terras e sertões sem medidas. Agora, como uma
ex-combatente, ainda firme porém alquebrada também pelo tempo, somente enfeitas
a vida desta juventude que não pôde conhecê-la em tempos idos.
Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
Os homens é que não te souberam utilizar como deviam, pois
seu alimento era produto de nossa dispensa. No entanto preferiram troca-la por outra
que se alimenta com preciosos dólares... e sempre faltosos...
Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
Ó fiel escudeira, mais do que nunca ainda existe lugar para
ti entre nós... mais do que nunca temos que lhe render homenagens de gratidão,
amor e dedicação. Mesmo que alguns afoitos, lhe diga que não serves mais, ainda
assim, continuarás transportando nossa saudade...
Ah! se eu tivesse o poder de convencimento... você ja
estava cortando a cidade com seus apitos e chamando a saudade para morar aqui
em definitivo...
Ás vezes me pergunto, como posso ter uma saudades de tempos
que eu não vivi...

Meu Nome é Alexandre e como engenheiro e apaixonado por mecânica, fica uma vontade de mexer numa locomotiva dessas e pelo menos faze-la funcionar , nem que seja o apito. A estação poderia ser limpa e uma pintura não custaria tanto. Se alinhar as maquinas na estação e der uma limpeza. Poderia ser um ponto de partida. Algo como fizeram em São João Del Rei em MG. A circulação do trem seria um projeto muito mais audacioso. Hoje a cidade precisa recuperar a mão de obra e arrumar ocupação para os quase 80000 cidadãos.
ResponderExcluirAcho que a mais ou menos 10 anos atrás, Cruzeiro teve um projeto turístico com a "Maria Fumaça", saia da estação de Cruzeiro e não me lembro se chegava até a estação de Passa Quatro, mas passava e parava pelas estações pelo caminho, onde aproveitávamos para conhecer um pouco mais da história. Eu fiz este passeio umas duas vezes e foi muito legal. Não sei o motivo, mas este trem e seus vagões foram levados para Minhas Gerais. Hoje não sei se ainda funciona. Mas foi um passeio muito gostoso.
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