domingo, 31 de julho de 2016

Saudades (1)...

Cruzeiro Eu Te Amo...


Esta foto foi tirada pelo Dr. Plínio Guarany, no domingo às 9:30hs.- Dia 31-7-2016


                                      UMA CASA E SUA HISTÓRIA...

Não podemos  dar ao luxo de descartar as pérolas que achamos pelo caminho... São narrativas assim que faz com que o futuro possa ser deliciado... esta chamada do Dr. Plínio Guarany, nos remete ao passado glorioso de uma cidade que ainda é uma menina dentre as outras seculares que ficam em algures. Para quem não conhece o escritor, saiba que se chama Plínio Guarany, cirurgião dentista, poeta de renome, hoje com seus setenta e poucos anos de vida, faz essa mocidade se deliciar com verdadeiras perolas eruditas. Nasceu em Soledade de Minas, e cedo ainda veio com seus pais morar em Cruzeiro. Não posso mais falar sobre ele, porque solicitei à ele uma pequena biografia mas se recusa em atender meu pedido... e eu entendo isso como sendo uma resposta de sua humildade. Ele bem que merece estar em meu Blog " Grandes Vultos de Cruzeiro"...

Esse prédio fica na esquina da rua Cel. José de Castro e Avenida
Major Novaes. Hoje é um ponto inexpressivo meio abandonado,
mas no passado foi um ponto de referência em Cruzeiro.
Era a loja da família Turner. Representante da Chevrolet e da
Frigidaire. Havia um bomba de gasolina, bem na esquina.
Na parte superior havia um salão de baile ocupado pela ACF.
Associação Cívica Feminina. Promovida pela D. Tita e dirigida pela D. Julieta Cossermeile. Era o clube da elite cruzeirense.

Em 1953 eu terminei a Quarta Série Ginasial e fui o orador da turma.
Foi nesse clube que aprendi a dançar para participar da valsa de
formatura. Quem me ensinou a dançar foi uma normalista chamada
Marina.( Hoje, ela é uma senhora, viúva).

Esse prédio me traz gratas recordações da juventude.
Houve um tempo que se arrumar para ir a um baile e dançar com
as moças era um acontecimento social significativo.
Passou por nós,
Marcou nossa história.
Ficou no passado.
Mas não sai da memória.
Plinio Guarany.
Poeta Menor.
Academia Cruzeirense de Letras e Artes.
31-7-2016.


Eu perguntei à ele, se porventura a descrição que ele faz com  tanta autoridade, correspondia à essa foto que aqui coloco em preto e branco. Esta foto eu colhi nos sites de Cruzeiro. E ele confirmou a minha suspeita. O que não faz as pessoas com o diálogo. Agora eu posso afirmar para toda essa juventude cruzeirense que o passado desta esquina e desta loja, estão aqui comparados - É o que sempre digo - uma fotografia tem alma, bom mesmo é trazer à luz a alma de cada foto que publicamos, melhor para entender e assim contemplar o passado. 
Obrigado amigo. Como sempre, ajudando a reescrever o passado desta cidade. 







domingo, 24 de julho de 2016

A Academia de Letras de Cruzeiro...


Fundadores da Academia Cruzeirense de Letras
“Escritores e Poeta do Vale Histórico"



Arautos de uma história assaz gloriosa. És vós escritores e poetas bandeirantes, Geradores de idéias e de ideais virtuosos, Repórteres vivos, de sagas refulgentes.

Filhos de um Vale cada vez mais Histórico. O que seria de ti Ó "Terra dos Cafezais", Se não fosse estes teus súditos merencórios, Tão determinados em desnudar seus anais.

E isso o fazem com tamanha arte e sapiência, Qual seresteiro ao compor para sua amada, Fazendo reviver, uma história que já foi vivida. Mas hoje, para aplaudir esta estirpe heroica, Surge a Academia Cruzeirense de Letras, Que em cujos braços, encontrarão guarida.



Em meus sonhos, às vezes, eu vejo o Solar dos Rossetes todo reformado, pintado com as cores azul e branco, tendo em sua frente as bandeiras do Brasil; de São Paulo e da Academia do Vale Histórico, tremulando bem alto, como que dizendo - "Aqui moram os bandeirantes da literatura "briosos guerreiros" que se dão com amor e dedicação. à incumbencia de não deixar as estrelas da nossa História, se ofuscarem com a nodoa do tempo.


Isso eu publiquei em meu blog "Coisas que me Incomodam" ha uns dias atras. Hoje com muito orgulho apresento novamente estes versos simples e sem métrica, mas,que representam para mim a afirmação de que a Academia é uma REALIDADE e portanto os versos acima não é mais uma utopia e sim uma verdade. Ela ja existe e promete não deixar pedra sobre pedra pairar em cima da História Linda, que esta cidade tem e fez por merecê-la.

Há dezenove anos atras, eu procurei a candidata à prefeitura de Cruzeiro Ana Karim, em seu "bunker¨eleitoral, à Rua Seis, perto do consultório do Dr Castor,este, de lembranças mil, e dela obtive a promessa de ajuda para a concretização do sonho.
Ela não ganhou o pleito e o sonho se enfraqueceu... mas insisti em continuar jogando a semente da Academia em todas as oportunidades que tive. Foi assim no Jornal Regional, foi assim em meus blogs ou sites que cheguei a abrir na Net... E, graças à Deus, o estimado escritor Dr Eduardo César Werneck acolheu com carinho essa semente... e dado ao poderoso nome e grande estima, às quais honradamente, os grandes escritores de Cruzeiro o tem com muito respeito, a semente germinou... ainda não vou me expressar como um académico, mas a honra de ter sido convidado a fazer parte da Academia e o fato isolado de ter o meu nome inscrito com letras de ouro (porque assim eu o vejo) na Ata de Fundação da Academia na tarde de 23/07/2016, não há dinheiro que pague... mesmo que eu não prossiga nesta caminhada como académico (por motivos particulares), continuarei na tarefa de "carregador de piano", para que vocês Grandes Escritores de Cruzeiro, toquem as mais variadas musicas que vão, sem duvida nenhuma, fazer a revolução histórica e cultural de Cruzeiro. Voces sabem também que no cemitério local, e convivendo entre nós, estão os verdadeiros Grande Ícones da Cidade de Cruzeiro, e esta juventude que aí está precisa conhecer a história de cada um. - Por quê?... PORQUE NINGUÉM AMA AQUILO QUE NÃO CONHECE.






quarta-feira, 20 de julho de 2016

Carnaval de antigamente em Cruzeiro...

Em Cruzeiro Eu te Amo....


Carnaval em Cruzeiro em 1940


O carnaval em Cruzeiro era festejado na Avenida Major Novaes, no pedaço 

que fica entre as Ruas Engenheiro Antonio Penido e a Rua Jorge Tibiriçá.. A descrição abaixo, nada mais é o conteúdo das paginas 70 a 76, do meu livro "Perdão Também tem limites", que narra a saga de um carrasco Nazista e um judeu que fugiu da Alemanha nos 30 e ambos  vieram morar em Cruzeiro. É um livro de ficção e a narrativa é produto da minha imaginação.


  

O primeiro dia do tão esperado carnaval chegara. A população de Cruzeiro procurava se divertir com os  mais desinibidos. E para isto bastavam ir para a avenida, porque lá é que era o ponto de encontro  dos foliões fantasiados.
Samuel, encontrou com Rodolfo e juntos foram para a porta do cine Ópera. Enquanto que para Rodolfo, o carnaval já era bem conhecido, Para Samuel o mesmo consistia numa grande incógnita. Contudo, como havia  dito a Rodolfo  que morara anteriormente em São Paulo, subentendia automaticamente que já o conhecia.
Por ali ficaram misturados ao povão. Em cima das duas calçadas e até mesmo em toda orla da rua Major Novaes, ficavam os rapazes. E desfilando, ficavam as moças, que desciam por um lado da rua e subiam pelo outro, sempre de braços dados umas com as outras. E variando a formação, passeavam sempre em grupos de duas, quatro ou até seis ou sete garotas, conversando animadamente. Sempre que uma, sentia que determinado rapaz ia se aproximar dela,  despistadamente tomava uma providencia. Se  ele fosse bem vindo, ela desfilava na extremidade do grupo, propiciando a oportunidade. E desta maneira, ficava mais fácil se desprender das outras, no momento da abordagem. Porem, se o rapaz não fosse o seu eleito, ela então passava a desfilar no meio do grupo, protegendo assim seus flancos e ao mesmo tempo, cortando de vez a possibilidade da aproximação.
 A todo momento, em algum ponto da avenida, surgiam risos.  Eram os fantasiados que apareciam. O mais comum, eram homens  se vestindo com roupas de mulher. E vestidos assim,  desfilavam junto às moças mexendo com os rapazes que ficavam na calçada. Mas de vez em quando apareciam  alguns casos de muita criatividade. Casos como o de um rapaz, que se vestiu de presidiário, com aquela roupa própria listrada em azul e branco, carregando uma bola acorrentada na sua perna e um cartaz às costas dizendo  “AMIGO DE GETÚLIO”.




Ali se praticavam as famosas guerrinhas de confetes coloridos, que salpicavam todo o chão da avenida.  Serpentinas eram jogadas nas moças, mas antes, elas passavam por cima da fiação da rua, de modo que um pedaço sempre  ficava pendurado para fazer uma cortina, enfeitando a passarela. Lança-perfumes, tinham suas válvulas abertas de qualquer ponto da rua. Os maldosos, as disparavam contra os olhos de outras pessoas. Os  precavidos usavam máscaras transparentes, com veludo colorido nas bordas, para proteção dos olhos.
E foi neste ambiente de muita alegria e descontração, que Samuel se aproximou de  Elisa.
Elisa era morena clara, cabelos pretos e compridos, seu rosto era magro, mas  de uma beleza sem igual. Com um corpo escultural, muito educada e bem vaidosa. Andava sempre com as unhas pintadas e muito bem vestida. Mas no entanto, era a simplicidade personificada. Membro da Irmandade das Filhas de Maria, participava de todas as atividades na igreja. Sempre que podia, dava aulas de corte e costura para os pobres, na escola do Asilo. Cursava o terceiro ano na Escola Normal de Cruzeiro. Moça por demais recatada, nunca havia namorado rapaz algum. Apesar de sua idade se aproximar dos vinte e cinco anos, às vezes se comportava como uma  mocinha de quinze. O fato de nunca ter tido namorado era motivo de discussão, que às vezes mantinha com seu pai. Ele, o pai,  era muito rigoroso na sua maneira de educar. Homem  de muita fé, batalhador e de comportamento íntegro. Sempre que podia estava  ao seu lado, como se fosse o grande guardião de  um tesouro. Embora jamais tenha admitido, mas era esse seu comportamento uma das razões da solidão da filha. Sua constante presença, afastava os acanhados pretendentes, desencorajando-os.
Elisa passeava junto com mais três amigas, dentro da roda de moças que desfilavam na avenida. Em seus cabelos tinha mais confetes que os de suas amigas. Quando  se aproximava do lugar em que estava Samuel, procurava-o com os olhos, e desviava-os, logo que o encontrava. Foi numa dessas muitas voltas, que Samuel a abordou. Chegando por detrás, ao lado dela , perguntou :
--- Posso falar contigo?
--- Hã?... o quê?...
                                                        Sueli e as amigas já sabiam do flerte da amiga, tanto que começaram a rir, e largaram o braço dela, deixando-a para trás. Ela por sua vez não sabia o que falar, seu rosto enrubesceu e limitou-se apenas a caminhar com os braços cruzados.
O primeiro encontro, é sempre o primeiro encontro, o que perdura mesmo para sempre é a imagem. A conversa na verdade é cheia de banalidades. Apenas perguntas, em que cujas respostas, muitas das vezes já é do conhecimento de quem pergunta. Tudo isso faz parte do primeiro encontro, esse tempo se faz necessário para que os nervos se relaxem, e o encanto  de que são tomados, aos poucos dê lugar a razão. Por isso, depois de meia hora de conversa, Samuel convidou-a a parar de caminhar e ficar conversando perto do Capitólio. Ali permaneceram  por um bom tempo, até que apareceram Sueli e uma outra amiga de nome Wanda, juntas foram chamar Elisa, pois tinham que ir embora. Ainda no meio da rua, elas pararam e mostrando o relógio, fizeram sinal de que  estava na hora.
--- Acho que suas amigas estão te chamando, falou Samuel.
--- É porque está na hora de irmos...
--- Então vamos...
--- De jeito nenhum...  meu pai pode ver...
--- Eu  converso com ele...
--- Não... por favor, ainda não...  vamos dar um pouco de tempo. E depois, se ele ficar sabendo, vai acabar o carnaval para mim. Porque  não permitirá mais que eu saia à noite.... deixe pelo menos passar o carnaval.
--- Tudo bem...  como você quiser. E em qual clube você vai brincar?
--- Em nenhum.... hoje o carnaval já acabou.
--- Você então não vai ao Brasil?
--- Em clube nenhum...
--- Então como vamos fazer amanhã? Nos veremos não?
--- Aqui na praça... se eu vier, tá?.
--- Então boa noite, disse Samuel estendendo-lhe a mão.
--- Boa noite, respondeu Elisa, largando depressa  a mão dele.


De volta aos seio das amigas, Elisa ria nervosamente e tinha as mãos trêmulas.  Suas companheiras enchiam-na de perguntas, enquanto caminhavam na volta para casa.
--- Então Elisa, ele correspondeu à sua expectativa? Perguntou Sueli.
--- Eu não sei... acho que sim... è muito educado... e fala muito bem. E tem um sotaque estrangeiro muito forte.
--- De onde  é?, perguntou Wanda.
--- Olha  eu fiquei sem jeito de perguntar... mas acho que é alemão. E vocês não sabem da maior. Ele queria me levar em casa e conversar com meus pais hoje.
--- Nossa!..., ele é corajoso. Retrucou Sueli.
--- Isso demonstra que é bem intencionado, falou Wanda.
E assim  foram confessando a amiga, com todas armas femininas de que dispunham. Elisa ia respondendo, mas no fundo sentia um misto de prazer e de medo. Prazer, porque nunca tinha conversado com um rapaz da maneira que hoje conversou. Até hoje suas conversas com o sexo oposto, foram sempre desinteressadas.  E medo, porque a idéia de um namoro com Samuel, ainda não tinha ocupado o devido espaço em seu subconsciente. E exatamente por isso, ficava  a cisma de não ter feito uma coisa limpa. Nesta noite custou a dormir. O que era muito natural, afinal hoje tinha sido o seu dia de cinderela.
Samuel voltou para o lugar onde tinha deixado Rodolfo, mas não o encontrou. A rua já estava ficando deserta. Quem não ia para o clube, ficava bebendo de bar em bar, e este ambiente não era bom. Para arranjar uma briga bastava permanecer na rua, bêbados para isso não faltavam.  Samuel então procurou logo o caminho de casa. (...)


As fotos anexadas ao texto, são da década de 40



Mas, em homenagem a esta cidade que tanto amo, eu fiz o seguinte poema.



      Avenida Major Novais


Doce recordação agora me invade,
Ao lembrar-me de ti, grande avenida.
Que  fostes o palco daquelas tardes,
Em que o amor, brotou em nossas vidas...


Dos saudosos carnavais mascarados,
Da ala central, onde as moças desfilavam,
Sempre em turmas e com os braços dados,
Para os moços, que com elas brincavam.

                                
Quando o Cruzeiro se sagrava campeão,
Ou mesmo, o Frigorífico, com seu timão,
Nossa avenida se enchia de ilusão.
    

Mas infelizmente o tempo passou...
E daquelas tardes saudosas restou,
Doces lembranças em meu coração.


Quem desejar obter uma copia em PDF, é só entrar em contato comigo, que darei as instruções de pagamento 
Email joaobbdeassis@uol.com.br


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Trem de Ferro ou a Gloriosa Maria Fumaça

Em Cruzeiro Eu Te Amo, nosso inesquecível Trem da Serra






                                      Maria fumaça


                                               
                                  Só tem saudades aqueles que viveram nos tempos idos e vividos... 
                                             A cidade de Cruzeiro nos anos trinta, lógico que só poderia ser do seculo passado, vivia um alvoroço total com os trens da Rede Mineira de Viação, que em Cruzeiro faziam suas baldeações para os tres estados mais populosos e desenvolvidos deste imenso Brasil. 
                                   Se pararmos no tempo, uma hora sequer por semana, e juntarmos todos os velhos e velhas que viveram nesses tempos... daria para escrever vários livros, somente narrando os casos verídicos que se sucederam nesta década, acima referenciada. 
                                           Quantos homens... oh!... quantos homens ainda existem na cidade, e nos primam com suas presenças, que fizeram parte das lutas dos ferroviários... dos salarios atrasados... das tentativas dos policiais em acabar com as greves dos trabalhadores... das coercitivas policiais em querer fazer os maquinistas seguir viagens e, com isso, automaticamente furar as greves... 
                                   Das mulheres destes bastiões, hoje também idosas e alquebradas pelo tempo, mas que em seus tempos, - valentes e lutadoras. Que se enrolavam na Bandeira do Brasil... ou a estendiam na rua por onde o carro com policiais tinham que passar, visando com isso impedir que as ações policiais, furassem as greves... Isso porque elas sabiam eles iam buscar seus maridos ou filhos para leva-los até aos trens...  greves... greves que eram muitas e em Cruzeiro eram muito comuns... Algumas tinham a tônica dos partidários de partidos politicos (geralmente comunistas), mas... mas, a maioria delas aconteciam pela falta de pagamentos aos ferroviários... que trabalhavam meses sem receber seus salários...

                                       E os acidentes na serra da Mantiqueira, quando se ouviam os tres apitos longos durante o dia ou à noite, chamando a turma do Socorro... a população acordava com sobressalto. As esposas que tinham seus maridos viajando, entravam em desespero e agonia para saber noticias dos desastres... e todos os desastres tinham uma causa... Sono do maquinista... trilhos que se abriam... trilhos que se partiam com o peso das locomotivas, por ficarem abaixo das temperaturas ideais (muito frio)... falta de freio... quebra de engates...
                                   A multidão de passageiros que desciam de um trem e ficava esperando o outro que ia em outra direção (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e perambulavam pela a cidade... o velho Zappa, com sua bolsa de couro indo de vagão em vagão vendendo revista e jornais... os garotos marotos que aproveitavam as paradas do trem para vender suas balas, doces e salgados, que cuja venda ajudavam no orçamento domestico, e só pulavam do trem quando este começava acelerar... muitos deles saltavam na brita da linha, e até de vez em quando se machucavam... os engraxates - vai um brilho aí? - perguntavam aos viajantes... os carregadores de malas... uns até usavam veículos baixos de rodas pequenas e de ferro, da propria ferrovia, e transportavam as malas daquele viajante que ia pernoitar nos hotéis de Cruzeiro...

                                              Ah! saudade... como você machuca... como você nos sufoca sem nos abraçar... Só o tempo mesmo, para depor sobre os nossos sentimentos...


                                               Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
                  Que bom seria se a gente pudesse te ver outra vez povoando  nossa paisagem e movimentando nosso turismo. Estivestes presente em todo nosso desenvolvimento, e agora nos encanta com a doce saudade daqueles tempos vividos.

                                             Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
                                             Orientastes todo nosso progresso. Tudo que temos ou tudo 
que somos, devemos a ti, Princesa de Ébano. 


                                              Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não... 
                                              Quantas e quantas vezes ouvimos este seu barulho, qual
dragão trazendo o abdome em brasa e soltando fumo pelas narinas. Sua presença 
em qualquer lugar naqueles tempos, era a certeza de famílias numerosas e 
amparadas... bons tempos aqueles. Fostes nosso ponto de partida e a bússola que 
orientou nosso rumo.


                                              Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
                                              Desbravastes terras e sertões sem medidas. Agora, como uma 
ex-combatente, ainda firme porém alquebrada também pelo tempo, somente enfeitas 
a vida desta juventude que não pôde conhecê-la em tempos idos. 


                                              Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não... 
                                              Os homens é que não te souberam utilizar como deviam, pois 
seu alimento era produto de nossa dispensa. No entanto preferiram troca-la por outra 
que se alimenta com preciosos dólares... e  sempre faltosos... 


                                              Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não... 
                                              Ó fiel escudeira, mais do que nunca ainda existe lugar para 
ti entre nós... mais do que nunca temos que lhe render homenagens de gratidão, 
amor e dedicação. Mesmo que alguns afoitos, lhe diga que não serves mais, ainda
 assim, continuarás transportando nossa saudade... 


                                            Ah! se eu tivesse o poder de convencimento... você ja 
estava cortando a cidade com seus apitos e chamando a saudade para morar aqui 
em definitivo...
                                             Ás vezes me pergunto, como posso ter uma saudades de tempos 
que eu não vivi...


                                 

                                        




domingo, 10 de julho de 2016

Cruzeiro - Polo Turistico


Em Cruzeiro, eu te amo, apresento a sugestão do projeto,
                

                     
                         CRUZEIRO: POLO TURÍSTICO


                               Todos nós temos consciência da relevada importância, que desfruta a antiga residência de nossa ilustre matriarca, carinhosamente conhecida como Dona Tita.                                              Este casarão histórico, foi o marco inicial, o pilar principal ou a grande “viga mestra”, que por sobre ela, deu-se inicio ao antigo POVOADO DA ESTAÇÃO, terra de nossos ancestrais. 
                                      Também é de nosso conhecimento, e não poderia ser diferente, que muitas decisões importantes foram tomadas naquele sítio, que viabilizaram sem duvida nenhuma, os primórdios desta auspiciosa e hospitaleira cidade à qual orgulhosamente pertencemos.                                    
                                      Portanto, em vista do exposto acima, colocar-me-ia na condição de “sentenciado”, se não concordasse em gênero número e grau, com a decisão de transformá-la no atual MUSEU  de nossa cidade.
                                Mas em que pese o alto valor histórico e os motivos fortíssimos, que fizeram o poder público rotulá-la com esta honrada finalidade, acabou a cidade de Cruzeiro ficando sem o seu museu de VERDADE. E neste embalo de descuidos, encontra-se confinado em um salão dentro deste mesmo casarão, um dos maiores acervos históricos que uma cidade pode se dar ao luxo de possuir. E o qual, se encontra em perfeito estado de conservação.

                                 De bom também neste local, fica a secular figueira, patrimônio da cidade, que bem poderia ser um cartão postal de Cruzeiro, se não ficasse por demais escondida pelo arvoredo que a circunda.



                                 Por outro lado, a nossa querida ESCOLA ESTADUAL ARNOLFO AZEVEDO, funciona num prédio antiqüíssimo, que fora construído no inicio do século (1912), para atender as necessidades de uma escola igualmente de sua época. Portanto, embora sabendo que haverá sempre alguém que  discordará de mim, acredito que para uma escola contemporânea, o prédio hoje se encontra  muito aquém de atender satisfatoriamente esta necessidade, no que tange uma melhor distribuição de salas de aulas, salas para computação, salas de projeção, auditórios, instalação de cabos elétricos, etc. Sem contar ainda que onde ele se situa, expõem muito perigosamente ao trânsito diário, seus alunos menores que freqüentam o curso primário. 

                                   Baseado nestas necessidades prementes que certamente esta escola necessita, e que já não é de hoje. E sabendo que o prédio em que  funciona atualmente, representa na verdade mais uma PRECIOSIDADE ARQUITETÔNICA  do Município de Cruzeiro. E ainda, que constitui verdadeiro crime contra a municipalidade cruzeirense, qualquer tentativa em redimensioná-lo ou simplesmente tentar modificá-lo, para que venha atender as necessidades do ATUAL currículo escolar. Torna-se, portanto necessário, procurar um novo lugar onde o ensino possa ser atendido com a seriedade que lhe é devida. 
                                  Como bom munícipe (pelo menos eu penso que sou), e conhecendo as aspirações de nossa população em querer transformar nossa cidade num POLO TURÍSTICO, resolvi então dar o pontapé inicial neste sentido. E dando asas à minha imaginação, proponho a concretização deste sonho num projeto, que à primeira vista, pode até ser tomado como utópico, mas se bem examinado, verão que ele é perfeitamente viável. Assim pensando, descreverei abaixo seu conteúdo.
                                                        

DO PROJETO


                                     É sabido que todos os alunos desta escola (e são muito poucos), moram nos bairros da periferia da cidade. Os alunos que moram no centro, estudam em colégios particulares. Sendo assim, basta transferi-los para as escolas de seus bairros de origem. Dessa forma então, ficaríamos desimpedidos para efetuar as mudanças seguintes.



                                      Transformação da Fazenda, em um HORTO FLORESTAL. Para isto, torna-se necessário contratar um paisagista (e aqui na cidade tem vários), para que o local seja devidamente decorado com plantas exóticas e ao mesmo tempo, raras. Manter a figueira secular, mas livre dos arbustos comuns ali existentes. Traçar  ruelas  por entre os canteiros. Assentar bancos ao longo de suas ruas. Construir uma fonte luminosa bem no centro ou um lago de águas cristalinas para criação de peixes ornamentais. Construir um sanitário público, mas de padrão mais exigente. Projetar um orquidário circular e fechá-lo com vidros, de forma a deixar expostas à visitação publica, suas espécies ali cuidadas. 
                                    Em longo prazo, poderá também ser construído um teleférico, que circunde a área do HORTO FLORESTAL, explorando o maravilhoso cenário da SERRA DA MANTIQUEIRA ou, fazê-lo um pouco mais extenso, para que partindo do HORTO, leve passageiros para os pedalinhos do BOSQUE.


                                   1 -  O casarão, este poderá expor seu mobiliário antigo e ainda receber doações de relíquias, que por certo existem em poder dos habitantes mais antigos e abastados da cidade e da  região (para isto buscaremos o apoio dos Jornais e das Rádios locais). Na verdade, o casarão voltaria a ter a finalidade que sempre teve, ser uma FAZENDA MUSEU dentro do HORTO FLORESTAL. 

                                    2 - Transformação do Prédio onde funciona a atual ESCOLA ESTADUAL ARNOLFO AZEVEDO, em MUSEU HISTÓRICO DE CRUZEIRO. Dessa forma, o projeto alojará o museu em algumas salas separadas, como por exemplo, uma sala, com os documentos e fotografias do período que antecedeu e que durou o POVOADO DA ESTAÇÃO, outra com o período pós POVOADO DA ESTAÇÃO  até a CRUZEIRO de hoje, outra com os motivos ferroviários (ABPF) e THE MINAS AND RIO RAILWAY, em outra, a imprensa local, contando os fatos desde os primórdios, até a data de hoje, em outra o FRIGORIFICO, e em outra a REVOLUÇÃO DE 1932, e não se pode esquecer das demais firmas como Café Solúvel e FNV.  E assim por diante.

                                   3 - Todas as salas devidamente enceradas e cada GRANDE VULTO DE CRUZEIRO, terá ali seu “cantinho” particular. Na maioria dos casos (e sempre que isto for possível), seriam envolvidos os descendentes destes grandes ícones para cooperar nos gastos para confecção destes “cantinhos”, que serão sempre iguais e padronizados . Demais atividades culturais e ou, problemas concernentes à sua existência, seria administrado pela diretoria, que por sua vez, será renovada a cada dois ou três anos.  O processo de abertura dos cantinhos, nunca será fechado, e  de inicio começaria a trabalhar com alguns nomes, como por exemplo: Da. Tita, Coronel José de Castro, Da. Albertina, Nicolino Ferrari, Pedro Gussen,  Sebastião Pinto, Geraldo Prado Galhano, Dr. Othon Barcellos, Teodoro Quartin Barbosa, Major Hermógenes, Antônio Conde, Da. Aurora Mota, Virgilio Antunes, Carlos Borromeu, José Campos, Luis Quartim Barbosa, Maestro Lyrio Panicalli, Major Novaes, Capitão Neco, Nesralla Rubes, Dr Carlos Varella, Dr Isaac Cerquinho, Eduardo Werneck, e outros.



                                  4 - O trem de ferro, se acompanhado mais de perto, poderá ser feito estações ao longo do seu trecho até o Túnel da Serra. Estações estas que não faltariam motivos, para torná-las verdadeiros pontos turísticos. Ex. Estação das Flores, Estação dos namorados, Estação Japonesa, etc.
                                     
                                   Os museus DEVEM sempre que possível se situarem  bem no meio do movimento maior das  cidades, para que possam despertar interesse aos visitantes. E no nosso caso, como possuímos esta alternativa, se levarmos o museu para o centro da cidade, ele por si só, se tornará mais atrativo e ao mesmo tempo mais rentável.

                                   Para tudo na vida, tem que haver um começo. Posso até estar sendo pretensioso demais, ao me achar capacitado para desenvolver um projeto tão sério e tão complexo como este. Mas, se todo mundo tiver este pensamento, o Projeto “CRUZEIRO, POLO TURÍSTICO”, nunca sairá definitivamente das cabeças de quem reclama. 
                                   Por outro lado, tenho absoluta certeza, de que se eu conseguir juntar algumas cabeças pensantes em torno de uma mesa e imbuídos deste mesmo ideal, este projeto sairá melhor do que estas linhas que mal acabo de redigir. Sei que encontraremos resistência por partes de alguns grupos isolados, pois todo movimento polemiza de alguma forma. Mas também creio firmemente, que uma boa Diretoria saberia sem duvida alguma, encontrar as saídas necessárias,  para que o projeto  decolasse e não morresse depois de iniciado. 


“TURISMO É A MELHOR INDUSTRIA QUE PODEMOS TRAZER PARA NOSSA CIDADE, PORQUE GERA EMPREGO, CIRCULA DINHEIRO E NÃO POLUI COM CHAMINÉS O MEIO AMBIENTE” 

                                  A memória de uma cidade pode ser esquecida... com o tempo. Cabe, portanto a nós, cidadãos, exercendo nossa cidadania cuidarmos para que tal estado de coisas, jamais aconteça. 
                                 Nossa juventude é abalroada todos os dias por uma verdadeira avalanche de maus exemplos, sempre rotulados de heróis por uma mídia cada vez mais interesseira e capitalista –  heróis de barro. E a cada dia esta avalanche se torna mais sofisticada e objetiva, enquanto nossos jovens, por falta de parâmetros sólidos, se tornam presas cada vez mais fáceis, deste sistema. Não pretendemos fazer milagres, apenas colocar em suas cabeças sentimentos fortes, que os ajudem a assimilar melhor tais idéias. 
                                 O objetivo deste projeto é resgatar as memórias de todos os nossos Grandes Vultos, construindo para cada um deles, um pequeno espaço onde possa ser pesquisada sua vida e suas obras. Este espaço ficará aberto à visitação pública e principalmente, aos alunos de nossas escolas e ginásios.