quinta-feira, 14 de julho de 2016

Trem de Ferro ou a Gloriosa Maria Fumaça

Em Cruzeiro Eu Te Amo, nosso inesquecível Trem da Serra






                                      Maria fumaça


                                               
                                  Só tem saudades aqueles que viveram nos tempos idos e vividos... 
                                             A cidade de Cruzeiro nos anos trinta, lógico que só poderia ser do seculo passado, vivia um alvoroço total com os trens da Rede Mineira de Viação, que em Cruzeiro faziam suas baldeações para os tres estados mais populosos e desenvolvidos deste imenso Brasil. 
                                   Se pararmos no tempo, uma hora sequer por semana, e juntarmos todos os velhos e velhas que viveram nesses tempos... daria para escrever vários livros, somente narrando os casos verídicos que se sucederam nesta década, acima referenciada. 
                                           Quantos homens... oh!... quantos homens ainda existem na cidade, e nos primam com suas presenças, que fizeram parte das lutas dos ferroviários... dos salarios atrasados... das tentativas dos policiais em acabar com as greves dos trabalhadores... das coercitivas policiais em querer fazer os maquinistas seguir viagens e, com isso, automaticamente furar as greves... 
                                   Das mulheres destes bastiões, hoje também idosas e alquebradas pelo tempo, mas que em seus tempos, - valentes e lutadoras. Que se enrolavam na Bandeira do Brasil... ou a estendiam na rua por onde o carro com policiais tinham que passar, visando com isso impedir que as ações policiais, furassem as greves... Isso porque elas sabiam eles iam buscar seus maridos ou filhos para leva-los até aos trens...  greves... greves que eram muitas e em Cruzeiro eram muito comuns... Algumas tinham a tônica dos partidários de partidos politicos (geralmente comunistas), mas... mas, a maioria delas aconteciam pela falta de pagamentos aos ferroviários... que trabalhavam meses sem receber seus salários...

                                       E os acidentes na serra da Mantiqueira, quando se ouviam os tres apitos longos durante o dia ou à noite, chamando a turma do Socorro... a população acordava com sobressalto. As esposas que tinham seus maridos viajando, entravam em desespero e agonia para saber noticias dos desastres... e todos os desastres tinham uma causa... Sono do maquinista... trilhos que se abriam... trilhos que se partiam com o peso das locomotivas, por ficarem abaixo das temperaturas ideais (muito frio)... falta de freio... quebra de engates...
                                   A multidão de passageiros que desciam de um trem e ficava esperando o outro que ia em outra direção (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e perambulavam pela a cidade... o velho Zappa, com sua bolsa de couro indo de vagão em vagão vendendo revista e jornais... os garotos marotos que aproveitavam as paradas do trem para vender suas balas, doces e salgados, que cuja venda ajudavam no orçamento domestico, e só pulavam do trem quando este começava acelerar... muitos deles saltavam na brita da linha, e até de vez em quando se machucavam... os engraxates - vai um brilho aí? - perguntavam aos viajantes... os carregadores de malas... uns até usavam veículos baixos de rodas pequenas e de ferro, da propria ferrovia, e transportavam as malas daquele viajante que ia pernoitar nos hotéis de Cruzeiro...

                                              Ah! saudade... como você machuca... como você nos sufoca sem nos abraçar... Só o tempo mesmo, para depor sobre os nossos sentimentos...


                                               Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
                  Que bom seria se a gente pudesse te ver outra vez povoando  nossa paisagem e movimentando nosso turismo. Estivestes presente em todo nosso desenvolvimento, e agora nos encanta com a doce saudade daqueles tempos vividos.

                                             Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
                                             Orientastes todo nosso progresso. Tudo que temos ou tudo 
que somos, devemos a ti, Princesa de Ébano. 


                                              Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não... 
                                              Quantas e quantas vezes ouvimos este seu barulho, qual
dragão trazendo o abdome em brasa e soltando fumo pelas narinas. Sua presença 
em qualquer lugar naqueles tempos, era a certeza de famílias numerosas e 
amparadas... bons tempos aqueles. Fostes nosso ponto de partida e a bússola que 
orientou nosso rumo.


                                              Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não...
                                              Desbravastes terras e sertões sem medidas. Agora, como uma 
ex-combatente, ainda firme porém alquebrada também pelo tempo, somente enfeitas 
a vida desta juventude que não pôde conhecê-la em tempos idos. 


                                              Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não... 
                                              Os homens é que não te souberam utilizar como deviam, pois 
seu alimento era produto de nossa dispensa. No entanto preferiram troca-la por outra 
que se alimenta com preciosos dólares... e  sempre faltosos... 


                                              Café-com-pão, café-com-pão, manteiga-não... 
                                              Ó fiel escudeira, mais do que nunca ainda existe lugar para 
ti entre nós... mais do que nunca temos que lhe render homenagens de gratidão, 
amor e dedicação. Mesmo que alguns afoitos, lhe diga que não serves mais, ainda
 assim, continuarás transportando nossa saudade... 


                                            Ah! se eu tivesse o poder de convencimento... você ja 
estava cortando a cidade com seus apitos e chamando a saudade para morar aqui 
em definitivo...
                                             Ás vezes me pergunto, como posso ter uma saudades de tempos 
que eu não vivi...


                                 

                                        




domingo, 10 de julho de 2016

Cruzeiro - Polo Turistico


Em Cruzeiro, eu te amo, apresento a sugestão do projeto,
                

                     
                         CRUZEIRO: POLO TURÍSTICO


                               Todos nós temos consciência da relevada importância, que desfruta a antiga residência de nossa ilustre matriarca, carinhosamente conhecida como Dona Tita.                                              Este casarão histórico, foi o marco inicial, o pilar principal ou a grande “viga mestra”, que por sobre ela, deu-se inicio ao antigo POVOADO DA ESTAÇÃO, terra de nossos ancestrais. 
                                      Também é de nosso conhecimento, e não poderia ser diferente, que muitas decisões importantes foram tomadas naquele sítio, que viabilizaram sem duvida nenhuma, os primórdios desta auspiciosa e hospitaleira cidade à qual orgulhosamente pertencemos.                                    
                                      Portanto, em vista do exposto acima, colocar-me-ia na condição de “sentenciado”, se não concordasse em gênero número e grau, com a decisão de transformá-la no atual MUSEU  de nossa cidade.
                                Mas em que pese o alto valor histórico e os motivos fortíssimos, que fizeram o poder público rotulá-la com esta honrada finalidade, acabou a cidade de Cruzeiro ficando sem o seu museu de VERDADE. E neste embalo de descuidos, encontra-se confinado em um salão dentro deste mesmo casarão, um dos maiores acervos históricos que uma cidade pode se dar ao luxo de possuir. E o qual, se encontra em perfeito estado de conservação.

                                 De bom também neste local, fica a secular figueira, patrimônio da cidade, que bem poderia ser um cartão postal de Cruzeiro, se não ficasse por demais escondida pelo arvoredo que a circunda.



                                 Por outro lado, a nossa querida ESCOLA ESTADUAL ARNOLFO AZEVEDO, funciona num prédio antiqüíssimo, que fora construído no inicio do século (1912), para atender as necessidades de uma escola igualmente de sua época. Portanto, embora sabendo que haverá sempre alguém que  discordará de mim, acredito que para uma escola contemporânea, o prédio hoje se encontra  muito aquém de atender satisfatoriamente esta necessidade, no que tange uma melhor distribuição de salas de aulas, salas para computação, salas de projeção, auditórios, instalação de cabos elétricos, etc. Sem contar ainda que onde ele se situa, expõem muito perigosamente ao trânsito diário, seus alunos menores que freqüentam o curso primário. 

                                   Baseado nestas necessidades prementes que certamente esta escola necessita, e que já não é de hoje. E sabendo que o prédio em que  funciona atualmente, representa na verdade mais uma PRECIOSIDADE ARQUITETÔNICA  do Município de Cruzeiro. E ainda, que constitui verdadeiro crime contra a municipalidade cruzeirense, qualquer tentativa em redimensioná-lo ou simplesmente tentar modificá-lo, para que venha atender as necessidades do ATUAL currículo escolar. Torna-se, portanto necessário, procurar um novo lugar onde o ensino possa ser atendido com a seriedade que lhe é devida. 
                                  Como bom munícipe (pelo menos eu penso que sou), e conhecendo as aspirações de nossa população em querer transformar nossa cidade num POLO TURÍSTICO, resolvi então dar o pontapé inicial neste sentido. E dando asas à minha imaginação, proponho a concretização deste sonho num projeto, que à primeira vista, pode até ser tomado como utópico, mas se bem examinado, verão que ele é perfeitamente viável. Assim pensando, descreverei abaixo seu conteúdo.
                                                        

DO PROJETO


                                     É sabido que todos os alunos desta escola (e são muito poucos), moram nos bairros da periferia da cidade. Os alunos que moram no centro, estudam em colégios particulares. Sendo assim, basta transferi-los para as escolas de seus bairros de origem. Dessa forma então, ficaríamos desimpedidos para efetuar as mudanças seguintes.



                                      Transformação da Fazenda, em um HORTO FLORESTAL. Para isto, torna-se necessário contratar um paisagista (e aqui na cidade tem vários), para que o local seja devidamente decorado com plantas exóticas e ao mesmo tempo, raras. Manter a figueira secular, mas livre dos arbustos comuns ali existentes. Traçar  ruelas  por entre os canteiros. Assentar bancos ao longo de suas ruas. Construir uma fonte luminosa bem no centro ou um lago de águas cristalinas para criação de peixes ornamentais. Construir um sanitário público, mas de padrão mais exigente. Projetar um orquidário circular e fechá-lo com vidros, de forma a deixar expostas à visitação publica, suas espécies ali cuidadas. 
                                    Em longo prazo, poderá também ser construído um teleférico, que circunde a área do HORTO FLORESTAL, explorando o maravilhoso cenário da SERRA DA MANTIQUEIRA ou, fazê-lo um pouco mais extenso, para que partindo do HORTO, leve passageiros para os pedalinhos do BOSQUE.


                                   1 -  O casarão, este poderá expor seu mobiliário antigo e ainda receber doações de relíquias, que por certo existem em poder dos habitantes mais antigos e abastados da cidade e da  região (para isto buscaremos o apoio dos Jornais e das Rádios locais). Na verdade, o casarão voltaria a ter a finalidade que sempre teve, ser uma FAZENDA MUSEU dentro do HORTO FLORESTAL. 

                                    2 - Transformação do Prédio onde funciona a atual ESCOLA ESTADUAL ARNOLFO AZEVEDO, em MUSEU HISTÓRICO DE CRUZEIRO. Dessa forma, o projeto alojará o museu em algumas salas separadas, como por exemplo, uma sala, com os documentos e fotografias do período que antecedeu e que durou o POVOADO DA ESTAÇÃO, outra com o período pós POVOADO DA ESTAÇÃO  até a CRUZEIRO de hoje, outra com os motivos ferroviários (ABPF) e THE MINAS AND RIO RAILWAY, em outra, a imprensa local, contando os fatos desde os primórdios, até a data de hoje, em outra o FRIGORIFICO, e em outra a REVOLUÇÃO DE 1932, e não se pode esquecer das demais firmas como Café Solúvel e FNV.  E assim por diante.

                                   3 - Todas as salas devidamente enceradas e cada GRANDE VULTO DE CRUZEIRO, terá ali seu “cantinho” particular. Na maioria dos casos (e sempre que isto for possível), seriam envolvidos os descendentes destes grandes ícones para cooperar nos gastos para confecção destes “cantinhos”, que serão sempre iguais e padronizados . Demais atividades culturais e ou, problemas concernentes à sua existência, seria administrado pela diretoria, que por sua vez, será renovada a cada dois ou três anos.  O processo de abertura dos cantinhos, nunca será fechado, e  de inicio começaria a trabalhar com alguns nomes, como por exemplo: Da. Tita, Coronel José de Castro, Da. Albertina, Nicolino Ferrari, Pedro Gussen,  Sebastião Pinto, Geraldo Prado Galhano, Dr. Othon Barcellos, Teodoro Quartin Barbosa, Major Hermógenes, Antônio Conde, Da. Aurora Mota, Virgilio Antunes, Carlos Borromeu, José Campos, Luis Quartim Barbosa, Maestro Lyrio Panicalli, Major Novaes, Capitão Neco, Nesralla Rubes, Dr Carlos Varella, Dr Isaac Cerquinho, Eduardo Werneck, e outros.



                                  4 - O trem de ferro, se acompanhado mais de perto, poderá ser feito estações ao longo do seu trecho até o Túnel da Serra. Estações estas que não faltariam motivos, para torná-las verdadeiros pontos turísticos. Ex. Estação das Flores, Estação dos namorados, Estação Japonesa, etc.
                                     
                                   Os museus DEVEM sempre que possível se situarem  bem no meio do movimento maior das  cidades, para que possam despertar interesse aos visitantes. E no nosso caso, como possuímos esta alternativa, se levarmos o museu para o centro da cidade, ele por si só, se tornará mais atrativo e ao mesmo tempo mais rentável.

                                   Para tudo na vida, tem que haver um começo. Posso até estar sendo pretensioso demais, ao me achar capacitado para desenvolver um projeto tão sério e tão complexo como este. Mas, se todo mundo tiver este pensamento, o Projeto “CRUZEIRO, POLO TURÍSTICO”, nunca sairá definitivamente das cabeças de quem reclama. 
                                   Por outro lado, tenho absoluta certeza, de que se eu conseguir juntar algumas cabeças pensantes em torno de uma mesa e imbuídos deste mesmo ideal, este projeto sairá melhor do que estas linhas que mal acabo de redigir. Sei que encontraremos resistência por partes de alguns grupos isolados, pois todo movimento polemiza de alguma forma. Mas também creio firmemente, que uma boa Diretoria saberia sem duvida alguma, encontrar as saídas necessárias,  para que o projeto  decolasse e não morresse depois de iniciado. 


“TURISMO É A MELHOR INDUSTRIA QUE PODEMOS TRAZER PARA NOSSA CIDADE, PORQUE GERA EMPREGO, CIRCULA DINHEIRO E NÃO POLUI COM CHAMINÉS O MEIO AMBIENTE” 

                                  A memória de uma cidade pode ser esquecida... com o tempo. Cabe, portanto a nós, cidadãos, exercendo nossa cidadania cuidarmos para que tal estado de coisas, jamais aconteça. 
                                 Nossa juventude é abalroada todos os dias por uma verdadeira avalanche de maus exemplos, sempre rotulados de heróis por uma mídia cada vez mais interesseira e capitalista –  heróis de barro. E a cada dia esta avalanche se torna mais sofisticada e objetiva, enquanto nossos jovens, por falta de parâmetros sólidos, se tornam presas cada vez mais fáceis, deste sistema. Não pretendemos fazer milagres, apenas colocar em suas cabeças sentimentos fortes, que os ajudem a assimilar melhor tais idéias. 
                                 O objetivo deste projeto é resgatar as memórias de todos os nossos Grandes Vultos, construindo para cada um deles, um pequeno espaço onde possa ser pesquisada sua vida e suas obras. Este espaço ficará aberto à visitação pública e principalmente, aos alunos de nossas escolas e ginásios.


domingo, 3 de julho de 2016

Grupo Escolar Arnolfo Azevedo


Em Cruzeiro eu te amo, homenagem ao segundo "Grupo Escolar" instalado e o primeiro a ser construido, para esta função 






 Magnifico “Arnolfo” 



                       Ah!... se eu pudesse ver através da máscara do

 tempo... eu veria a glória dos teus dias encantados... de 

quando surgistes das fendas abertas na terra crua, por mãos 

que infelizmente já partiram para as fendas santas... eu

 queria te querer, como te quer quem por ti passou... mas se

 já te quero tanto, mesmo não tendo dividido contigo minha 

doce infância, imaginas pois, o quanto ia te querer se em tuas

 salas tivesse também colhido todo meu saber...  amo-te 

simplesmente por imagina-lo inteiro e novo, ainda em meio

 aquelas ruas de terra e de calçadas disformes que o

 circundava... 


Ó nobre e garboso Arnolfo de saudosos tempos... dos 

uniformes vistosos... das tranças marotas das 

meninas moças... dos amores incautos e das peraltices 

inocentes. Das alas divididas... dos recreios separados...

 dos flertes roubados... dos bilhetes escondidos e dos

 pensamentos castos...

Ah! se eu pudesse ver através da mascara do tempo... na certa

 eu veria os auditórios nos pátios, nos dias de festas... ouviria

 novamente aqueles poemas simplicíssimos e repetitivos,  que

 a cada ano eram recitados como se pela  primeira vez... 

ouviria também o canto desafinado dos corais mistos, 

daquela criançada feliz... e... e parado ali na esquina, veria a 

meninada chegar para o inicio das aulas... uns descalços e

outros calçados... uns trazendo nas mãos os cadernos 

soltos... 

outros como o Carlos Coelho... o Geraldo Padula... ou Getulio 

Machado...todos de calças curtas, trazendo nas mãos sua 

bolsa de estudos... velha bolsa de estudos...


Ah! Arnolfo... ah! se eu pudesse ver através da mascara do 

tempo... talvez eu não sentisse esta saudade, oriunda de uma 

saudade que não vivi...





sexta-feira, 1 de julho de 2016


Em Cruzeiro, eu te amo...


Esta foto eu achei na NET e não tenho permissão para posta-la. Mas com a intensão
de mostrar a colossal Figueira, eu então a coloquei no blog. Mas, se alguém se
achar prejudicado, pela exposição pode me mandar um email ou, postar nos
comentários o desejo de sua retirada, que eu o farei imediatamente.


Á figueira Secular*




Honras sejam dadas à majestosa Figueira Secular, que Deus em Sua Infinita Sapiencia conservou para a glória deste torrão maravilhoso, que sempre será, nossa querida Cruzeiro.
Nada menos que 10 metros, mede o perímetro de seu corpo em sua medida menor. Isso equivale portanto a 3 metros de diâmetro, medidos na altura mediana de seu tronco dorsal.
Orgulhem-se cruzeirenses. Pouquíssimas cidades deste imensurável Brasil,  possui um monumento de tamanho e envergadura neste tão magoado e brutalmente violado, reino vegetal.
Bem-aventurada és tu figueira admirável, que cujas sombras amigas amenizaram os verões de tão saudosas e ilustres personalidades. Bendito sejam teus harmoniosos galhos, que suspensos quase às nuvens, contemplaram solenemente a colocação dos trilhos da imortal “ The Minas and Rio Railway”.
Bem mereces a dupla cidadania que orgulhosamente ostentas, pois nascestes muito antes do Povoado da Estação, e vives agora a honra consagradora, de ser uma imortal cruzeirense.
Obrigado rainha, pelas incontáveis partículas tóxicas que retirastes de nossa atmosfera.
Obrigado rainha pelo o aconchego e abrigo que destes à nossa fauna.
E paradoxalmente, te peço que perdoe os nossos governantes por este crime de descaso, que cometem contra ti.
E também, que não credite injustamente a esta população que tanto te ama, este odioso crime de esquecimento. Pois situada como estás, em local de custódia  do poder público, nada podem fazer em vosso favor. Não podem visitá-la nas tardes fagueiras, e nem tão pouco levar-lhe visitantes amigos para conhecê-la.
Mas sei que és forte o suficiente para nos premiar com sua presença, por mais um centenário. E portanto, certamente haverá um dia um governante sério, que ao explorar turisticamente sua beleza, lhe renderá finalmente as honras que há muito já mereces receber.
E neste dia então a natureza chorará de alegria. Um forte vento desprovido de seus sonoros uivos se fará presente, e através dele ouviremos sim, uma calorosa salva de palmas, oriunda do chacoalhar dos galhos, ofertada pelo reino vegetal à sua rainha mãe – A Figueira Secular.




* Esta árvore frondosa está plantada nas cercanias do Museu da cidade. Sua espécie é para mim desconhecida, isto por que de Botânica eu não entendo nada. Portanto, desculpem-me se por ventura não se tratar de uma figueira. Para mim sua presença é mais importante que sua espécie. Porque ainda sou daqueles (como Henfil) que contento com o que a natureza nos oferece. Se não houver frutos, valeu a beleza das flores. Se não houver flores contento-me com a sombra das folhas. Se não houver folhas... valeu a intenção da semente.


Cruzeiro Cidade Planície



Cruzeiro cidade Planicie
                                                            (Declaração de amor)                                                               




Nascida ao pé da majestosa Serra da Mantiqueira, cortada pelo caudaloso Paraíba do Sul e cercada pelos verdes campos da região serrana, és sem duvida alguma uma das maiores bênçãos que o Altíssimo poderia derramar neste estado gigantesco. Tu fostes escolhida por mim(ou pelo meu Deus, não sei), como o lugar para o meu transporte derradeiro para o etéreo, minha última parada. O meu amor por ti jamais poderá ser classificado por platônico, pois na pequenez deste teu súdito, minha rainha, um pouco das suas glórias consegui gravar na lápide que marcará um dia o lugar do meu sono eterno.

Em seu dorso habitei por pouco tempo, mas fiz as mais sublimes e sinceras amizades, que cujos quilates, não encontrei nem na terra em que me viu nascer. Amo suas avenidas, suas históricas construções, sua rica história, escrita com as lágrimas e o suor de seus mais queridos filhos. Amo seus verões longos e quentes e seus invernos curtos e frios. Amo suas manhãs lindas de paisagens andinas e suas noites de suave ternura. Enfim, se te amar assim tão loucamente for uma doença, saibas que desejo então viver todo tempo que me resta de vida, como um hipocondríaco incurável.

Gostaria de vê-la altaneira e invejável, transpondo suas fronteiras, voando nas páginas do meu legado. Mas a história nos diz que nem sempre o poder acompanhou a inspiração. Debalde, lutei com todas as forças do meu peito para eleva-la a este pedestal, mas infelizmente não logrei o êxito almejado. E pior, quem podia me ajudar recolheu sua mão e fechou-se em seu casulo.

Mas o tempo não apagará a minha grafia desenhada e muito menos aplacará o meu desejo incontido de um sonho tido como impossível. Certamente um dia aparecerá alguém, mesmo que eu já tenha me tornado ao pó (isso não importa), mas que ao revirar os trastes que me pertenceram, encontrará empoeirada a prova do meu grande e fiel amor. E mesmo que ela possua o maldito cifrão nos olhos, mostrará assim mesmo ao mundo, Quão grande foi o meu amor por ti.




                                          

Enigma????




Em cruzeiro eu te amo, uma pequena homenagem...




Enigma



Cálida flor de suave perfumE,

Resplandeces de glórias, em teu apogeU.
             
Útero que ao gerar, gerastes um bouqueT, 
                 
Zamumo, que curas como uma precE.

És parte desta terra grandiosA,

Intransponível te fez, quando de ti precisaraM.

Rainha do amor miraculosO,

                              Oxalá... eu tivesse também nascido aqui!